Minha mãe sempre falava de seu pai, com o qual convivi apenas cinco anos, e, portanto não me lembro dele. Segundo seus relatos, o senhor Totó, apelido carinhoso pelo qual todos lhe chamavam, foi um dos melhores alfaiates de sua época e fez carreira em São Paulo, onde vivia.
Ele confeccionava casacas e fraques, trajes de gala para grandes ocasiões e tinha como clientes personalidades, principalmente políticos do alto escalão do governo. Era tão dedicado e bom no que fazia, tinha as mãos perfeitas para talhar e coser, que seu nome corria o Brasil e, muitas encomendas vinham de todas as partes do país.
Hoje, sinto uma pontinha de tristeza ao constatar que a profissão que orgulhava tanto meu avô e toda a família, está cada vez mais escassa. Ao contrário de alguns anos atrás, quando não existia outra forma de se vestir senão se submetendo ao trabalho detalhado e exclusivo do alfaiate.
Com o surgimento do “pronto para vestir” e a industrialização do vestuário e produção em massa para grandes lojas, o declínio da função foi inevitável. A facilidade e rapidez de se encontrar um traje masculino em uma loja, sobrepujou o “status” e a elegância de ter um terno talhado especialmente para si. O preço do material industrializado também é um fator que complica a vida dos alfaiates que não conseguem competir em igualdade.
A profissão de alfaiate é uma das mais antigas do mundo. Desde os primórdios, no Egito, posteriormente na Grécia e Roma, durante a Idade Média e Renascença se destacava pela influência de seus profissionais no âmbito social daqueles que se apresentavam bem vestidos.
Uma pena meu avô não ter deixado herdeiros, pois só teve filhas mulheres, que apesar de se darem muito bem, e muito bem mesmo, nos trabalhos manuais, seguiram outras profissões e interesses. Minha mãe que é temporão e já nasceu quando suas irmãs eram bem maiores é a que menos se dedicou a isso, mesmo assim bate um bolão. Tenho até vergonha de dizer que não puxei nadinha por ela. Male, male, prego um botão.
Bjs
Fê
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